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Com palestra sobre papel dos Comitês de Bacia, CBH Araguari participa do 1º Seminário de Mudanças Climáticas junto à FIEMG e a Prefeitura de Uberlândia
19/05/2026
Evento foi realizado no Auditório da FIEMG Vale do Paranaíba e reuniu Usuários de Água, Poder Público e Sociedade Civil para ampliar debate sobre o papel das indústrias frente às mudanças climáticas
O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari (CBH Araguari), em parceria com a Prefeitura de Uberlândia, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) - Regional Vale do Paranaíba e BAT Brasil, participa nesta terça-feira (19/05) do 1º Seminário de Mudanças Climáticas. Sediado no auditório da FIEMG, em Uberlândia, o evento teve como foco principal ampliar o debate sobre o papel do setor industrial frente aos desafios da crise climática.
O encontro reuniu representantes de usuários de água, poder público municipal e sociedade civil. A programação contou com palestras que abordaram temáticas urgentes, como soluções climáticas, gerenciamento de recursos hídricos e o lançamento de novas políticas públicas voltadas à sustentabilidade.
Para o vice-presidente do CBH Araguari, o Seminário é um convite para que a comunidade aja em prol da preservação das nossas águas e do meio ambiente como um todo. “Não espere os efeitos da mudança climática baterem na porta da sua casa para começar a agir. Hoje é o momento de nos unirmos, seja poder público, sociedade civil, seja iniciativa privada, para fazer um grande movimento de mitigação. Não basta apenas o Estado fornecer estrutura e investir recursos; as mudanças climáticas só serão reversíveis quando cada um fizer a sua parte e mudar seus hábitos diários", destacou Celismar Costa Melo.
A relevância do debate atraiu importantes lideranças da região. A mesa oficial de abertura foi composta pelo vice-presidente do CBH Araguari; pelo vice-prefeito de Uberlândia, Vanderlei Pelizer Pereira; pelo presidente da FIEMG Regional Vale do Paranaíba, José Alves; pelo secretário municipal de Meio Ambiente, Dilson Dalpiaz; e pelo representante da Câmara Municipal, vereador Sargento Ednaldo.
Também integraram a mesa de honra o diretor-geral do DMAE, Rodrigo Sávio Couto de Lacerda; o Major Nelson, representando o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais; e o pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação, Thiago Gonçalves Paluma Rocha.
O papel do CBH e os impactos na bacia
Um dos destaques do seminário foi a apresentação do conselheiro e coordenador do Grupo de Trabalho de Estudos Climáticos do CBH Araguari, Antonio Giacomini Ribeiro. Ele detalhou o trabalho de gerenciamento hídrico exercido diariamente pelo Comitê, em uma fala que serviu para fortalecer os vínculos da entidade com a comunidade local e esclarecer a dinâmica do clima.

Durante a palestra, Giacomini alertou que as alterações climáticas geram impactos hidrológicos diretos nas bacias hidrográficas. Entre os principais reflexos, destacou:
- Eventos extremos: secas severas e inundações cada vez mais intensas;
- Instabilidade: irregularidade no período chuvoso;
- Vulnerabilidade: redução drástica da segurança hídrica.
Esses fatores, segundo o especialista, são os grandes responsáveis por acirrar os conflitos pelo uso da água em cenários de escassez. Essa disputa afeta uma cadeia ampla, que vai desde o abastecimento humano e a hidratação de animais (dessedentação), até o equilíbrio dos ecossistemas, a agricultura, a indústria e os usos não consuntivos (como navegação e turismo).
Gestão participativa e a integração do setor industrial
O coordenador do GT também explicou como funciona a gestão descentralizada e participativa da água. Giacomini ressaltou o principal instrumento de gestão utilizado pelos CBHs: a cobrança pelo uso dos recursos hídricos, que vigora na Bacia do Rio Araguari desde 2009. “Quem deve gerenciar a água são os diversos segmentos da população, por meio dos Comitês de Bacia Hidrográfica”, pontuou o conselheiro aos presentes.

Retomando o tema central do seminário, voltado ao setor produtivo, o professor Giacomini indicou caminhos práticos para a integração da indústria nessa gestão sustentável. Segundo ele, as empresas podem atuar diretamente no apoio à recuperação ambiental, na adesão a programas de pagamento por serviços ambientais, no fomento a projetos de educação ambiental e, fundamentalmente, na adoção de tecnologias para o reúso e a racionalização da água nas linhas de produção.
Em seu discurso de abertura, o vice-presidente do Comitê, Celismar Costa, também pontuou que as mudanças climáticas impactam no planejamento de décadas. "O clima tem nos surpreendido, transformando planejamentos centenários de engenharia em inundações. Por isso, não é somente sobre mudar as razões de cálculo para obras de drenagem e ter cidades mais estruturadas, precisamos mudar nossas atitudes. O que enfrentamos hoje é um grande resultado incontrolável causado por ações que são totalmente controláveis por cada um de nós", refletiu.
